segunda-feira, 2 de março de 2009

cenas de prof's



conheço alguns professores, alguns bastante bem. seja eu que tenho sorte, ou seja eu parcial, muitos dos que conheço são professores empenhados, que tem uma visão de educação muito mais abrangente do que a dos vários ministros e governos que temos tido, desde que me recordo (o que remonta ao tempo em que o nosso presidente era o nosso primeiro).

ser um professor empenhado, para mim, é preocupar-se com a educação dos alunos. parece simples, e até é, mas dá trabalho. implica entende-los (caso a caso), perceber por onde podem crescer, e dar umas pistas, provoca-los, injectar confiança. implica usar horas fora de horário, criar actividades fora de currículo, confronta-los com as suas fraquezas e ajudar (se necessário) a ultrapassa-las. como eu disse, é simples mas dá muito trabalho.

depois há professores de carreira. gente que não sabe fazer mais nada (estou a exagerar, mas é por excesso, nem prof's sabem ser), e dependem do ordenadito para sobreviver. é gente que se preocupa em "dar" a matéria que sai nas avaliações, que faz aulas de revisão com os enunciados dos testes, para facilitar a coisa, e que se rala apenas se tem muitas negativas, porque isso implica aulas de recuperação e más avaliações de desempenho. e isso estraga a vidita que levam, e põe em causa o ordenadito...

o outro lado da mesma moeda, são as políticas de educação que temos tido, desde a altura que entrámos na então c.e.e. e começamos a comparar-nos com o resto da europa (na altura, eram todos muito melhor que nós, em tudo). vai daí, em vez de tentarmos melhorar, tentámos disfarçar que a educação que tínhamos era um merdum, e baixamos patamares. temos vindo a descer desde então, e cada vez que batemos no fundo, escavamos para descer mais.

ser professor, há coisa de 20 anos, era ser alguém importante, influente, respeitado. o motivo: "the hand that rocks the cradle, rules the world" (que também é o nome de um filme impressionante, noutro contexto etário), ou seja, quem tem influência sobre as crianças, tem o futuro do mundo nas mãos.

porra, ter o futuro do mundo nas mãos tem de ser importante, não se pode desprezar a responsabilidade a cumprir parâmetros redutores.

tudo isto para dizer que me faz uma espécie brutal ver prof's em manif's, a reclamar de avaliações e de estatutos de carreira. eu nem ponho em causa que a história dos estatutos esteja mal feita (deve estar), e que os parâmetros das avaliações sejam ridículos (sei que são), mas quem nunca se manifestou a sério durante os anos em que o ensino desmoronou, como tem agora moral para discutir pormenores das ruínas?

tenho para mim que o que preocupa os prof's é o ordenadito. claro que não são respeitados, como classe, porque não se dão ao respeito, como classe (estou à vontade para falar, a minha classe também demorou muito tempo a merecer o respeito, e ainda tem muito que andar para isso). é em alturas difíceis que se vê a qualidade das pessoas (e das classes, neste caso, profissionais): quando os governos legislavam mal, quando diminuíram condições de educar, deviam ter-se posto ao alto, logo (xiça, eu ia a essas manif's todas, e muito mais gente também, tínhamos enchido praças, e hoje tínhamos uma educação melhor). agora, por causa do ordenadito? p que os p.

há excepções, já falei de algumas. nem falo de mim, porque nunca fui realmente professor, apenas dei formação dois anos, foi quase uma experiência (excelente, aliás. nem podia ser de outro modo, ao formar pessoas). mas este post vem enquadrar o link que vos deixo, foi para o deixar que deixei também a minha opinião acerca da educação que temos.

é um site de um amigo, artista de formação, um maduro muito bacana. para além das intervenções que fazia, foi ser professor (reparem que não escrevi "foi dar aulas"). vai daí, porque não achava satisfatório apenas o que estava a fazer, criou uma disciplina. é verdade. vejam lá, parece que quando um gajo quer algo, se for mesmo bom, consegue! e agora, na escola onde ensina, há uma disciplina de cinema.

já sei que há artistas a dizer que isso não faz falta, que não serve para nada, que os alunos mal aprendem o que está nos currículos. mas há gente, estranha, que acredita que se apontarmos à lua, mesmo que falhemos, caímos entre as estrelas. qualquer marreco percebe que isso dá mais gozo que cumprir calendário. bem, há marrecos para tudo...

fica o link, para cépticos, curiosos, e auto-didactas http://cinemano3ciclo.blogspot.com/

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