domingo, 11 de janeiro de 2009

dimensões



parece que o mundo começou com uma partícula, um ponto. um ponto tem zero dimensões, está no limiar da existência.

unindo dois pontos, temos uma linha. se for recta, tem uma dimensão, comprimento.

claro que há outras maneiras de unir dois pontos, sem fazer o caminho mais curto (normalmente dar uma volta costuma valer a pena...). estou a falar, por exemplo, de linhas dançarinas, numa folha de papel, que se cruzam e recruzam, aproximam e afastam, explorando todo o plano da folha. já temos duas dimensões, comprimento e altura.

adicionando mais uma, espessura, temos o mundo tridimensional. formas, volumes, volúptias,

cientificamente reconhecida é ainda a quarta dimensão, o tempo, que permite introduzir factores de transformação e inter-relacionamento.

com as quatro, podemos definir todo o mundo. todo? não, uma parte resiste ainda e sempre à ocupação romana (ups, entusiasmei-me...),

porque essa interacção permite considerar (e há quem considere, entre delírios e razões) outros parâmetros como dimensões,

falo de cheiros ou sons, texturas, sabores ou cores. falo de conhecimento, valor, custo. posso até falar de sentimentos (mesmo sendo um tiro arriscado, é muito válido).

hoje, falo da companhia, de quem está connosco quando estamos em determinado espaço (já sei, os puristas vão argumentar que isto se reduz à dimensão temporal, mas que se lixem, reduzam-se eles mais a pureza toda).

pois eu, por característica profissional, passo a vida a tentar perceber o que caracteriza cada espaço, cada local. mais que a tentar perceber, vejo-me com isso nas mãos, tenho de caracterizar espaços.

para ser franco, muitas vezes, ao desenhar determinado espaço, imagino determinada acção a ocorrer lá. pode ser a posição em que alguém se encosta a uma guarda ou balcão, a perspectiva que outro alguém tem de determinada perspectiva, uma certa iluminação no acordar de uma alma ou a acústica do espaço perante determinada música, muitas vezes é um miúdo a brincar em determinado ambiente ou um qualquer casal a fazer amor (caramba, nunca imaginei um espaço para orgias).

claro que nunca espero que a acção que imagino para o espaço seja a única a lá ocorrer (aliás, as mais das vezes nem ocorre, mesmo sem voltar à orgia...). costuma ser curioso ver coisas "novas" acontecer nos "meus" espaços.

tudo isto para dizer que basta utilizar um espaço com duas pessoas diferentes, para nos apropriarmos dele de modo muito diferente, mesmo para quem se habituou a entender o espaço tecnicamente. mais uma vez, o mundo dos sonhos sobrepõe-se ao da técnica.

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