sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

cintos de castidade modernos



quando fiz o cap, usei como tema de trabalho final a evolução de parâmetros que valorizam as casas, ao longo da história. foi em cima do joelho, porque aquilo era pro-forma para ter o documento (que consegui a modos de farinha amparo, confesso), mas saiu bem, tanto que um dos colegas do curso, depois de eu fazer a apresentação ,quase me chamar génio (local de baixas expectativas, está visto). ainda tenho o power point, vou ver se consigo arranjar o vídeo, conseguindo, coloco-o aqui, ou no facebook.

lembrei-me disto hoje, porque vi uma moça passar por mim, na rua, e achei que ela vinha vestida de armadura. daí associar o tema do meu trabalho final à evolução da armadura, ao longo dos tempos (pensamento de quem tem tempo para divagar nestas coisas, das quais, confesso, retiro enorme prazer).

a escrita moça vinha completamente arranjada, cabelo apanhado, óculos escuros, elegante, pose segura, andar confiante. daí a percepção de armadura que tive. seria uma moça extremamente atraente, se não notássemos o que faltava: humanidade.

muitas pessoas andam armaduradas assim, pela cidade, umas com mais graça, outras com menos, mas quase todas andam.

as pessoas, à la campagne, são diferentes, andam de peito aberto, e olham de frente sem se ralarem que se perceba para o que estão a olhar e o que pensam do que estão a ver (com o que isso tem de bom e de mau). mas a verdade é que se metermos conversa com alguém "rural", a pessoa vai ficar curiosa connosco, vamos falar, calhando acabamos a beber uns copos, e difícil vai ser vir embora.

cá, as pessoas são intocáveis, tentam parecê-lo tanto que se tornam intocáveis. e fica difícil tocar-lhes, por isso. e fica estranho que se queixem de não ter carinho no seu mundo, quando o deixam do lado de fora das armaduras que, orgulhosas, ostentam.

como se pode acariciar o cabelo de alguém, se só a ideia de o desarranjar é desconfortável?

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