terça-feira, 3 de maio de 2011

fobias minhas



há alguns filmes que não consigo rever, um impedimento visceral.

breaking the waves, de lars von trier, é um deles. adorei o filme, mas a salvação de um pela perda da outra é um conceito fora dos meus limites, fisicamente doloroso de considerar.

leaving las vegas é outro. pessoalmente, apaixonei-me perdidamente pela sera, quis ter (ainda quero) alguém assim quando me perdesse (perder) no final. pessoalmente, temia chegar a um final sem passado, e já não temo. mas arranjo sempre uma desculpa para não rever o filme.

ladri di biciclette é o melhor deles, e o que mais me pesa. é um filme do realismo italiano, de 1948, do vittorio de sica, que conta a história de um homem que não consegue arranjar trabalho. para tal precisa de uma bicicleta, que não tem. tenta roubar uma como solução de vida, é apanhado e desgraçado. e o que me doí é que o filho dele assiste, vê o pai cair e ser desgraçado. e doí-me de morte e não consigo rever aquilo.

um fulano sem filhos não precisa deles para ter moral, basta que o tenha. um fulano perder tudo deve ser tremendo, e não precisa ter filhos para que o seja. um fulano cair e desgraçar-se será o limite do suportável. um fulano cair e desgraçar-se em frente a um filho pequeno é para lá disso.

todos temos pânicos absurdos, fobias. eu tenho esta, e não consigo rever o filme.

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