quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

não tenho título para isto



há momentos em que é impossível confiar na humanidade, e isso é demolidor.

farto de gente ignorante a tentar impor o seu mundo mesquinho aos outros, farto.

https://secure.avaaz.org/en/stop_corrective_rape/?cl=919500276&v=8241

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

pr'11



eleições para presidente, primeira volta (e esperemos seja a única, porque o país parece não conseguir pagar uma segunda. pensando bem, nem devíamos fazer eleições, poupávamos uns trocos).

pensando melhor, não, é melhor fazer a campanha. não para saber se o cavaco se elege numa rapidinha ou se o alegre disputa uma segunda, mas não há grandes diferenças (apesar de haver algumas, com alguma importância). não há diferença porque a atitude de ambos perante o cargo é semelhante, ambos se propõem coordenar o país, no seu curso actual.

eu acho que deveríamos eleger um idiota, zé manel coelho. há quem diga que se está a aproveitar os direitos de campanha (dispendiosos, que o país mal suporta), quem diga que está a lançar-se para as regionais da madeira, quem diga que é tudo galhofa e brincadeira sem substância, quem diga que a atitude que ele trás seria ruinosa, se implementada, quem garanta que um idiota de tal calibre não seria capaz de governar.

eu discordo (excepto na parte de ele se estar a aproveitar para outras campanhas e de ser capaz de governar, aqui não por ser idiota (o que o qualifica em absoluto para a eleição), mas por ser parvo, que já é uma desvalia grande).

estando ele a aproveitar-se e a usar o dinheiro público para proveito próprio (o que a lei permite e é enaltecido pelo povo, moi excluído), sendo um palhaço por natureza aprimorada (o que o povo aprecia, moi incluído), a verdade é que qualquer fulano(a) que apareça agora a dizer que a gestão do país (a qualquer nível e em qualquer cargo) tem de mudar de perspectiva, de uma submissão a interesses (ilegítimos) económicos que não são "nossos" (não por serem estrangeiros, mas por serem de quem nos explora, quero lá saber do país) para uma valorização de interesses nossos (os pobres, o povo, moi incluido).

quem afirma que esta perspectiva é inútil e infrutífera, veja lula. a democracia foi implementada não para sancionar a usurpação de poder, mas para dar poder às maiorias, que são, curiosamente, as mais desfavorecidas. como podem as maiorias, sendo maiores, ser sempre as mais desfavorecidas: julgando que precisam de alguém de uma minoria, superior, elitista, para os governar.

se o país for governado por um(a) idiota que organize a economia no sentido de favorecer investimento para criação de postos de trabalho, diminuir desemprego (e respectivo volume de subsídios), relacionar subsídios com produção, criar legislação anti-corrupção (para tal, tem de ser eleito sem intenção de ser corrompido(a)), e se estiver a cagar para o fmi e a merkel (que eu, pessoalmente, adoro, a vários níveis. o fmi não), os bancos e as seguradoras e as multinacionais, bem, bem vindo idiota.

tenho um cliente e amigo que diz que o melhor é ganhar o cavaco, porque é um economista, e o país está mal de economias. mas, tal como o sporting, o país está mal de economias sendo governado (e abusado) por economistas. é nas eleições que se determina o futuro do país (e do clube, isto é absolutamente extensivo ao sporting): pelo voto do povo. curiosamente, o povo é quem se f*de sempre. olhando bem, sendo nós que escolhemos, é uma espécie de masturbação, algo self inflicted, dancing with ourselves.... masoquismo, mas sem a parte da piada.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

natureza moderna



acerca do conceito de arte e dos seus objectivos, do conceito de natureza natural e natureza subjugada.

durante muito tempo, e ainda hoje, ainda que não abrangentemente, o conceito de belo esteve relacionado próximo com a natureza. a natureza era entendida como fonte de belo e puro, e como tal de inspiração para as obras humanas, artísticas e/ou úteis. a natureza era a manifestação da criação divina (em quase todas as religiões) e como tal digna de cópia, ampliação, representação, almejo.

entretanto, bem ou mal, o mundo mudou. darwin proclamou uma teoria mais credível (e menos erótica) que a de adão e eva, e, em evolução em paralelo, a arte foi tendo mais que representar que apenas a beleza da natureza.

assim, continuando-se a pintar naturezas mortas, a fotografar campos de flores belos, a filmar gotas de chuva e a admirar a gravação do som das baleias, porque a arte é evolução, muitos criadores utilizam elementos naturais no que criam: estudam a evolução de uma teia de aranha e a sua resistência; reutilizam a estrutura das conchas ou carapaças de insectos na edificação; estudam e maximizam o efeito de ventos e outros impactos naturais na concepção de automóveis ou outros móveis; reintroduzem o som das baleias em músicas de discoteca ou de protesto.

um destes recriadores, theo jansen, tem um projecto que descobri por acaso, numa pesquisa por outra coisa, e me fascinou.

o homem antigo seguia um movimento global, um estilo. o homem actual produz em muitas direcções, foca em muitos problemas, de muitas perspectivas. e se muito do que o homem produz é anti-natura, o resto do que o homem faz é um regresso ao útero natural. é-me razoável que se construa (não só edifícios, mas tudo que se faz) de uma forma humana, que deixe marcas humanas, aqui entendidas como não naturais (porque o homem já não é muito natural, pois não? chega a ser uma aberração da natureza em certos casos, em certos espécimes ou em certas circunstâncias). mas é adorável que haja homens (e mulheres) naturais, que tentem perceber a natureza, adapta-la, e deixar marcas humanamente naturais.

são pessoas que naturalmente passam por idiotas (e o são) e pensadores inúteis (que não são), gente alucinada que tem uma visão de mundo (também muito representada na animação) onde gestos simples são sublimes. mesmo que seja necessário e excitante evoluir de uma forma anti-natura (porque também o é), tal movimento seria catastrófico se não houvesse idiotas como theo.

life's sweet



já não escrevo há uns tempos e hoje deu-me ganas, por causa do domingos névoa, que voltou a safar-se de uma de corrupção, desta vez em coimbra, por motivo de prescrição.

mas já aqui, em frente ao monitor, dei por mim: "mas tu és parvo ou quê? escrever desse quando o sol está frio e luminoso, lá fora, quando há trabalho para fazer, quando estás bem alimentado, e vem aí o natal, quando os knicks ganham 13 em 14 e amar'e is a beast, e até vais estar uma semana com o teu puto (ando optimista)?".

acontece por vezes darmos coisas importantes por adquiridas e reagirmos a coisas mui menos valiosas, apenas por novidade ou excentricidade. e acontece, a alguns, nem chegar lá sozinhos.

bueno, me voy a la cafetería, sigan degustando-la.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

a pázadas



dia de independência em época de dependências: já não mandam cá os castelhanos, manda quem paga.

vou escrever de (in)dependências, não da de 1640, nem da entrada do fmi, nem da importância de dinheiro na independência das pessoas.

ser independente significa valorizar a capacidade que se tem de decidir por si o que se quer. consequência, implica também valorizar nos outros a capacidade que têm de decidir por si o que querem. impingir aos outros decisões que queremos eles tenham é vestir armaduras castelhanas, colocar-se no papel de invasores, e acabar corrido a pázadas.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

a greve



cá está a greve, nalgumas notas soltas:

havia ajuntamento em frente ao edifício da pt, algumas miúdas giras e bandeiras encarnadas, mas nada de jornalistas, estava tudo na palheta, calmamente;

escola brotero fechada, shopping cheio de catraiada. ainda me recordo de quando um prof faltava, ficava toda a gente contente. agora um dia inteiro, c'um camandro! estavam espalhados pelo shopping todo, alegres, uns sentados no chão a comer coisas do supermercado, parecia um acampamento;

não sei se a produtividade foi afectada pela greve, mas o sector do comércio deve pedir uma todas as semanas, até ao natal (deveria, porque já há os feriados);

também no shopping estava um maduro que "trabalha" na câmara de coimbra. escrevo trabalha entre aspas porque a parte de trabalho que ele faz bem e a horas é receber o ordenado mensalmente, e tudo o resto faz atrasado (excepto, ainda, analisar os projectos que foram feitos pelo gabinete onde ele tem sociedade). eu nem lhe falo e ele é delicado o suficiente para evitar olhar-me. o fulano tem com ele um projecto meu, desde dia 26 de outubro, para medir (medir áreas, de terreno, de construção, de implantação, coisas assim, o que pode parecer muito trabalhoso, mas com o autocad demora 15 minutos, incluindo beber café (e fazer o café e lavar a chávena e o pires)), e esta greve só vem agravar a demora, mais um dia sem aquilo medido.....;

parece que o trânsito esteve melhor, em lisboa. para além dos comerciantes, também os condutores das metrópoles apreciam greves gerais;

eu, por causa da greve, evitei ir a famalicão, o que parece bom, porque aquilo não é particularmente bonito nem ia lá fazer algo apetitoso (testemunha em tribunal), mas foi pena, porque perdi companhia da boa. fica para uma próxima (nem me atrevo a escrever para breve, tribunal), nã se perde;

a conservatória de velas de s. jorge não fez greve, mas quem lá quisesse ir por avião, não podia aproveitar, porque não houve voos, como se pode confirmar pela imagem em cima;

diz esta notícia que na gare fluvial de cais do sodré só estão funcionários de segurança e senhoras a limpar o chão. os seguranças admito seja por motivo de abusivos serviços mínimos, mas, a ser verdade, as senhoras que limpam o chão furaram a greve, ostensivamente

terça-feira, 23 de novembro de 2010

não à greve, de ideias



e como o governo é uma merda, faz-se greve. ao trabalho.

numa coisa já produz efeito (lá está a produtividade a funcionar), o governo vai finalmente dar atenção ao povo e ouvir-lhe os gritos de protesto. mas o governo, sendo desonesto e biltre, não é estúpido, vai afirmar que quem greva, tendo todo o direito (lá estão os direitos) a grevar, não está a ajudar o país, que está tão mal de finanças e mais os encargos de um dia sem produtividade e mais a intranquilidade e mais o resto que é mau, bem, as pessoas deviam ir trabalhar, o seu trabalho normal.

eu não sou contra greves (sou contra governos, em geral), nem escrevo do direito a grevar, é um direito adquirido, mas não me parece que produza efeitos, esta greve (não levem a peito o cartaz da cgtp, foi o que encontrei, mas o que escrevo vai geral, não só para os sindicatos ou esta central em particular).

porque o mundo mudou, e se os inimigos são os mesmos (são quem tem abusivamente), os modos de agressão são muito diversos. e parece-me ridículo que venham sindicatos reclamar aumentos salariais quando nem emprego há. e parece-me ridículo que venham pessoas bem intencionadas propor e participar numa greve que não tem a mínima possibilidade de resultar em nada, porque o orçamento não tem margem para isso e o fmi está aí. ah, é claro que o governo, que quando podia gastar, gastou com os seus, agora que nem para os seus tem, vai dar a todos.... ser ingénuo é aceitável, isto não é.

se não grevar, que fazer, então?

ficar de braços cruzados a falar não resulta nada, sabemos de experiência deles cruzados
há anos (talvez seja a novidade de uma greve geral que a torne atraente), porque somos povo de costumes brandos.

pilhagens e agressões não soam bem, porque este não deverá ser caso de "se não podes vence-los, junta-te a eles", e de agressões já temos calos que cheguem.

esgotadas as soluções de cartilha (si, de cartilha), vamos analisar outras ideias, de outras perspectivas. aliás, vamos analisar o problema apenas de uma perspectiva, mas diferente, vamos colocar as perguntas: "qual o problema, quem o provoca, que afecta as entidades que provocam o problema, de modo a deixarem de o provocar?".

o problema é o facto de o governo não governar para o povo, antes para os lobbies dos poderes económicos (banqueiros, especuladores, traficantes), que o elegem.

quem provoca o problema são os beneficiados pelos governos (nacionais e centrais), as entidades que lucram com a governação praticada (sem plural, é só uma).

como afectar essas entidades, de modo a que seja um mal menor para elas o facto de o governo governar também para o povo? um conceito que me parece promissor é: criar prejuízo a essas entidades, que almejam o lucro, relacionando ostensivamente esse prejuízo deles com o nosso.

nesta altura, é fácil pensar: "pois, nós, infelizes, sozinhos, como nos vamos opor a bancos, e pactos atlânticos, e empresas de ratings, balanças comerciais com países poderosos, multinacionais com produtos apetitosos, e a "quem paga, manda?". do mesmo modo que se faz uma greve: em geral, juntos, todos (pelo menos muitos).

um aspecto que salta à vista, é que as entidades que realmente governam são multi qualquer coisa, ou seja, tem milhares ou até milhões de clientes (ou utilizadores, ou utentes). nós. todos juntos.

uau, eles precisam de nós, se não de todos, pelo menos de muitos. vendo bem, até podemos ter impacto. do mesmo modo que os lobbies elegem governos (através do voto do povo) e, por força deste poder, se servem deles, nós podemos ter impacto, por força do facto de sermos a massa enorme que torna a actividade mesquinha brutalmente lucrativa (por massiva). se a massa utente for menor, o lucro massivo deixa de ser massivo.

por absurdo, pode deixar até de ser rentável ! que conceito do caneco, a exploração do povo deixar de ser rentável ! isso levaria a que o povo não fosse explorado. ah, doce utopia de um povo livre *suspiro profundo*.....

bem, isto já vai longo, e ainda não deixei ideia nenhuma: eric cantona foi jogador de futebol, doido varrido, e aparece num vídeo com uma ideia deliciosa; outra ideia que já li em variantes várias, seria atacar objectivos precisos (não comprar gasolina em determinada gasolineira, abandonar telemóveis (ou outras telecomunicações) de determinado operador, por exemplo) (solução já aplicada aquando dos produtos indonésios, por causa de timor, com resultados animadores, promissores se aplicados a escala mais abrangente) (aqui coloca-se a questão de quais as entidades a ser atacadas, questão relevante); haver uma votação em que nenhum voto fosse válido (nenhum, desde brancos, a nulos, a abstémios, nenhum), de preferência a nível europeu; entupir determinado site de empresa lucrativa com reclamações, abusar de uma qualquer das poucas clausulas contratuais em contratos com essas empresas (são poucas mas existem, porque as empresas contam que não sejam exploradas massivamente, apesar de nos explorarem massivamente); atacar sites, baralhar informação, eliminar contactos de email para publicidade massiva ou desviar-lhes fundos e distribuir por entidades não governamentais, limpas; estão a ver as ideias?

basicamente, a minha proposta é: vamos fazer algo que seja eficaz, que produza efeitos, que deixe marcas duráveis, que demonstre o poder que temos, enquanto povo inteligente, criativo, indomável *suspiro ainda mais profundo*, em lugar de fazermos o mesmo de sempre, com mais ou menos barulho e propaganda ou festa. vamos fazer algo produtivo em vez de pararmos a produtividade (é que não sei se se sente assim tanto, porque não produzimos muito).