quinta-feira, 3 de setembro de 2020

i need to sharpen up my play



i'm so hyped, what a cherish day it was.

stuff i did some few years ago still matter. differently  stuff, actually, on different people, still linger and sometimes, grows.

in the afternoon, i "talked" with an old student, from 10 years ago. he just called on messenger, no reason but a little chat, warmed my soul.

in the morning i catch the ending of a favorite movie of mine, on television. when it ended, my father, also watching, was silly smiling.

on an usual event, this morning, like every day since months, i got my newspapers, via whatsapp kindness.

also today, like a few days ago, i read from my greatest love.

there is this overwhelming felling that life is great, and is getting better, so:

joão, u need to sharpen up ur play, u need to keep up, because life is coming strong.

and, sweet mother of mine, i could just swear it's bringing treats.

terça-feira, 23 de junho de 2020

mami












se a minha mãe fosse viva, hoje faria 75 anos.

lembro-me de a ouvir dizer a alguém, perto do jardim zoológico, que não chegaria aos 40 anos. depois ouvia-a dizer várias vezes o mesmo dos 50, e dos 60. é provável que tenha dito dos 70, a que realmente não chegou.

se a minha mãe fosse viva, preencheria um buracão na minha alma (e a minha avó outro).

noite anterior à de ontem, sonhei com ela, e, coisa rara, lembro-me do sonho, talvez porque acordei no exacto final.

eu estava em casa dela, perto de uma das portas antigas (com o recorte em trapézio envidraçado), fechada. 

ouvi-a falar atrás da porta, antes de esta se abrir, e lá estava ela, mas enorme, como eu a veria se eu ainda fosse um catraio, porque eu estava quase ao nível do chão.

assim que a porta abriu e a vi, ela encolheu e eu expandi, como se anos de crescimento e minguagem demorassem menos de um segundo.

ela ficou tão pequena, tão depressa, que pairou um momento no ar, em processo de queda.

foi nesse momento que a segurei nos braços.

e não passou mais nada, depois de eu a segurar nos braços.

a verdade é que, de um modo etéreo, ainda seguro.

sexta-feira, 20 de março de 2020

história condensada (e incompleta) de amores, em sopas



















por causa do corona (não a cerveja, tal pecado), todos temos de fazer alterações bastante radicais na vida diária.

uma das de cá de casa é que, por dificuldades de fazer compras (horários, filas), acabámos por reverter algumas refeições a menus de sopas (long overdue).

eu raramente cozinho, nunca fui grande chef, fazia meia dúzia de coisas para não morrer de má nutrição e  para encantar umas amigas.

depois veio o gustavo, e aprendi a fazer sopa (e a ter fruta descascada em taças, para picar ou colherar).

um dia vi a sandra a fazer uma, em s. jorge, e a partir da dela, personalizei.

as sopas saiam-me bem, gustavo gostava, eu também, e as amigas lambiam os lábios enquanto achavam amoroso.

imediato, mami começou a fazer para o neto, perguntava como eu fazia, fazia igual, e perguntava se estava boa.

depois veio a patrícia, que fazia uns panelões de sopa épicos.

a joana fazia pastas, eu ganhei pança (não foi só culpa/mérito dela....) e ainda fazia sopas de vez em quando.

a verdade é que fui espaçando (e espançando), e já era muito raro.

estas palavras todas porque hoje voltei a fazer sopa, e é importante para mim.

a vida dá voltas, faz arcos, às vezes concêntricos, muitas vezes não, por vezes fecham-se, outras dançam até ao infinito separados, mas à vista e perto do coração.

p. s. - e gostava de saber como estás. de saúde também, claro, mas gostava mesmo era de saber como estás.

domingo, 8 de março de 2020

um obrigado ao mccoy tiner


















"só deus tem os que mais ama". mas durante algum tempo, temo-los nós todos.

tenho vários músicos favoritos, e vão cambiando. nestas semanas, ouço muitas vezes moses concas.

um período houve, a long long time ago, noutro universo, em que ouvia muito mccoy tiner.

já o apreciava dos discos com coltrane, e depois calhou ouvi-lo ao vivo, num jazz em cascais, no parque. 

também veio ouvi-lo o antónio pinho vargas, chegou logo depois de eu me sentar, e veio sentar.se duas ou três filas à minha rente, num ângulo em que se viam as mãos do pianista.

foi há mais de vinte anos, and i remeber it well. obrigado por esse final de tarde, e muitas vezes antes e depois dela.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

um obrigado diferente ao zé mario branco











the year was  2004, and i was in a really bad place.

like a junkie, i was strapped to a situation that hurt me, surrounded by nasty bad people: successful men wearing ties, married to successful women married to them, with young men already wearing ties and looking for success and young women looking to marry them or built parallel success of their own.

friends were taken far away from me, family love restricted. all i had was them and the dope reason that made me stay. like every dope, my reason to stay was bigger than my ability to manege it. like every dope, it only allowed me a few moments of infinite pleasure per day, surrounded by misery all around. i felt i could toke all the misery for that short, immense joy, forever. i still think that i could have take it. 

but eventually i realize i would have to give him something back, bigger and better, and i would need to have clean mind and heart for that.

so, soon after this story happened, i got out. a wolf can't be bound like a dog. when it has to go, it will.

not proud of everything i've done then, or the way i've done it, still not an ounce of regret.

but i digress....

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the year was  2004, and i was in a really bad place.

one day, one of them come with the news we were going to a josé mário branco concert. it was strange, they never listen to him, and probably (mighty sure) hate the socialist communist bastard pig.

the reason we were going, was this concert to present his new record, don't remember the venue (some slack, over 50 now), and some kids from school were going to do a choir with him. some of their sons/grandsons study at that school, and were (not surprisingly) picked to sing. in reality, they were going to film their kinds singing with a famous guy (guess they would omit the socialist communist bastard pig part of it). tough i liked the kids (that's me, can't help me), i was going for the music, for some small taste of freedom for a couple hours.

obviously, all the musics lyrics denounce capitalist behaviors, social abuse, and praise a desire for freedom and human achievement. the audience were ecstatic, with exception of my party. they had to applaud, but boy oh boy, did it cost them.....

me, well, i was far from the kind soul i am now, i confess i laughed out loud has i applaud. aside from my dope, it was the best time i had in months.

the kids sung at the end, a beautiful moment, and they finally have their deserved satisfaction (and video proves of it).

leaving the venue, i had to listen how they thought zé mário abused the wordings, but i, still laughing in their faces, protest the opinion and praise the guy like a symbol of human greatness (implicitly opposed to the one they pretended to have).

zé mário, por tudo o resto maior, mas também por isto, obrigado.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

de Fez, com amor


















hoje tinha tudo para ser um dia ruim, e nas mais das horas foi.

mas de manhã, imprevisto e inesperado, conheci um fulano (e o filho). marroquino(s), faz(em) azulejos em Fez. 

fascinante a maneira como ele mexe nas peças, a intimidade, o conhecimento, o carinho, o gentil orgulho. 

estavam cá de férias, passaram na obra onde estou, seguiram a seguir para o norte de áfrica. há momentos de sorte.

fiquei a imaginar que o norte de áfrica não deve ser nada mau, para quem gosta de calor e emoções fortes. provavelmente não, mas fiquei a imaginar. of all the gin joints of all the towns in all the world....

e fiqo a sonhar com a próxima emoção inesperada. porque por estes dias tenho poucas, sempre inesperadas ou com curto aviso prévio de 24 horas, e quando aparecem tenho de as saborear até à seguinte.


portami via












"la vita è bella" é um filme do roberto benigni, o que teve os óscares.

não é o meu benigni favorito (esse é o "la tigre e la neve", porque relata com um absurdo ingénuo próximo daquele que uso para escolher coisas na vida), mas também é excelente.

o filme tem duas partes, este troço é o final da primeira.

é relevante porque, quando alguém está mal em determinado sítio da vida, há a sensação que mudar de lugar muda também a vida. isto não é uma verdade absoluta. mudar de sítio na vida não é só físico, endereço, carrinha de mudanças (aahhh, carrinhas de mudanças....).

se um fulano não souber para onde quer ir (na vida), ele pode ir mudando de endereço que a vida nunca será bela.

mas se um fulano souber para onde quer ir (na vida), ele há-de ir.

tem de estar preparado e capaz e generoso para quando o cavalo verde aparecer, e, nesse momento, fulano vai para onde quer.